Estudo da Firjan mostra como a pandemia impactou a Indústria Criativa

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Nova edição do Mapeamento da Indústria Criativa mostra que o número de profissionais do setor cresceu 11,7%, entre 2017 e 2020. Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentaram, em 2020, uma taxa de participação de trabalhadores criativos maior que a média nacional; respectivamente, de 2,24% e 2,11%

FIRJAN, 08 JULHO 2022

A pandemia afetou a indústria criativa no Brasil e esse impacto pode, agora, ser visualizado na nova edição do Mapeamento da Indústria Criativa. Elaborado pela Firjan, o estudo analisa o setor entre 2017 e 2020 e mostra que o número de profissionais criativos, apesar da crise, cresceu 11,7% em relação a 2017.

Hoje o Brasil conta com 935 mil profissionais criativos formalmente empregados, o que equivale a 70% de toda a mão de obra que atua na indústria metal mecânica brasileira. Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentaram, em 2020, uma taxa de participação de trabalhadores criativos maior que a média nacional; respectivamente, de 2,24% e 2,11%.

O levantamento reflete as transformações da nova economia, caracterizada por novos modelos de negócio, hábitos de consumo e relações e tem como fonte principal o Ministério do Trabalho e Previdência. O estudo completo foi lançado essa semana e pode ser acessado clicando aqui.

A Firjan divide o Mapeamento em quatro áreas criativas – Tecnologia, Consumo, Mídia e Cultura* -, e considera os dados do mercado de trabalho formal. Conforme o estudo, Consumo e Tecnologia representam mais de 85% dos vínculos empregatícios. No RS, esse índice é de 83,3%. O crescimento foi robusto, com taxas de expansão de 20,0% 12,8%, respectivamente, um reflexo direto da expansão da tecnologia na pandemia e da necessidade da transformação digital de empresas de todos os segmentos para aumento de eficiência.

Já Cultura e Mídia, os 15% restantes, registraram uma queda considerável de -7,2% e -10,7%. Conforme o vice-presidente da Firjan, Leonardo Edde, a contração das vagas no setor de Mídia é de caráter estrutural, consequente de inovações tecnológicas que alteraram a forma como os agentes produzem, disseminam e consomem o conteúdo.

Também colaboram para este cenário, as alterações nas relações de trabalho, que não ocorrem mais em formato de contratações generalizadas e foram impactadas pelas mudanças físicas geradas pela pandemia.

Em relação à Cultura, Edde que também é presidente do Conselho de Indústria Criativa da federação, pontua que o setor já vinha enfrentando dificuldades em razão de desafios institucionais ligados a novas legislações, como a alteração na Lei Rounaet, que estabeleceu a redução de 50% no limite para captação de recursos e a diminuição de cachês. Mas não só isso.

“As produções criativas nos ajudaram a encarar os dias difíceis de pandemia e a manter a saúde mental no isolamento. O problema é que nós apenas consumimos, mas não geramos mais dessa riqueza em razão do isolamento e de outras barreiras físicas geradas pela pandemia. Ou seja: aumentou o consumo e caiu a produção cultural”, analisa Edde.

Evolução do Número de Empregados na Economia e da Indústria Criativa no Brasil, por áreas criativas​

2017 a 2020 (2017=100)

Puxado pelas áreas de Tecnologia e Consumo, o PIB criativo entre 2017 e 2020 cresceu e passou de 2,61% para 2,91%, totalizando R$ 217,4 bilhões. O valor, conforme o estudo, é comparável à produção total do setor de construção civil e superior à produção total do setor de extrativo mineral.

“Este estudo serve para conhecermos mais o setor da Indústria Criativa, estimular políticas públicas específicas e orientadas para cada setor, além de ajudar a definir estratégias de negócio para as áreas”, explica Julia Zardo, gerente de ambientes de inovação da Firjan.

Nesta edição, o Mapeamento da Indústria Criativa ainda traz uma novidade. São as quatro análises especiais temáticas ​Soft Power e desenvolvimento com base na cultura e identidade dos territórios; Desafios à valoração de intangível nas Indústrias Criativas; Aspectos da Proteção à Propriedade Intelectual e Problematizando a definição de Economia Criativa, ou seja, um aprofundamento conceitual sobre os temas para entender a Indústria Criativa no Brasil e entender seus impactos sobre cidades e estados.

RS tem protagonismo na área de Consumo

Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentaram, em 2020, uma taxa de participação de trabalhadores criativos maior que a média nacional; respectivamente, de 2,24% e 2,11%. São 59,5 mil profissionais criativos formais em atuação no RS e 52,7 mil, em SC. À frente, ficaram somente São Paulo (2,87%) e Rio de Janeiro (2,54%).

O estudo também aponta que os três estados da região Sul estão entre as cinco Unidades da Federação com maior participação da área de Consumo em suas respectivas indústrias criativas. Da região Sul, o RS lidera com 28 mil trabalhadores na área em 2020, seguido pelo PR (27,7 mil) e SC (26,5 mil).

No quesito remuneração dos trabalhadores criativos, porém, o RS ocupa a 16ª posição enquanto SC, a 19ª, R$ 5.279 e R$ 4.885, valores abaixo da média nacional que ficou em R$ 6.926,00.

No entanto, dentro da realidade estadual, os profissionais criativos seguem bastante valorizados: os criativos de RS e SC ganham 1,8X mais que a média salarial desses estados.

Top 10 profissões criativas em alta

O estudo também mapeou as 10 profissões criativas em alta no Brasil hoje. Conforme a gerente de ambientes de inovação da Casa Firjan, Julia Zardo, as ocupações são fruto de modificações estruturais nas relações de trabalho, não somente dentro dos setores criativos, como também da economia como um todo.

“Podemos observar que todas essas ocupações indicam novas formas de interação com o consumidor e novas experiências de formatação e distribuição de produtos, em linha com inovações tecnológicas”, complementa Edde.

Confira quais são elas:

Analista de Negócios

Analista de Pesquisa de Mercado

Programadores/Desenvolvedores

Biomédico

Visual Merchandising

Gerentes de Tecnologia da Informação

Designer Gráfico

Pesquisadores em geral

Gerente de Marketing

Engenheiros da área P&D

“Vivemos uma nova era onde as engrenagens da economia criativa são cada vez menos tangíveis. O profissional criativo, portanto, é essencial para navegar neste novo cenário, mapeando tendências, otimizando a experiência dos consumidores e promovendo uma maior sinergia entre inovação, desenvolvimento, produção, distribuição e consumo”, finaliza.

*As 4 áreas criativas definidas por este estudo são divididas em 13 segmentos:

-Cultura: Expressões Culturais, Artes Cênicas, Música, Patrimônio e Artes

-Tecnologia: TIC, Biotecnologia, Pesquisa e Desenvolvimento

-Consumo: Publicidade e Marketing, Design, Arquitetura e Moda

-Mídia: Editorial e Audiovisual

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