# A semana que entra promete mudar o volume da conversa política. O rádio e a televisão entram oficialmente no jogo eleitoral e, de repente, aquele candidato que até ontem era conhecido apenas pelos parentes, pelo grupo de WhatsApp e por meia dúzia de correligionários vai ganhar microfone, imagem, tempo de televisão e, principalmente, a chance de entrar na sala de muita gente sem precisar bater na porta.
# Na Fronteira Noroeste, candidato não falta. Para a Assembleia, são mais de uma dúzia de nomes com alguma ligação regional ou domicílio eleitoral por estas bandas. Para a Câmara Federal, o cardápio também é farto. Opção é o que não falta. Voto, porém, não vem com brinde. E aí começa a parte interessante.
# Na televisão, todos serão apresentados como a solução perfeita para quase tudo: saúde, segurança, estrada, agricultura, emprego, desenvolvimento, educação e, se deixar, até para a previsão do tempo. O problema é que o eleitor já descobriu que discurso bonito não tapa buraco de estrada, não enche silo e não paga conta.
# No Piratini e em Brasília, o jogo esquenta. A propaganda eleitoral também deverá mexer com a disputa pelos governos estadual e federal. Os nomes que estarão na telinha terão a oportunidade de mostrar propostas, atacar adversários, defender governos e, como manda a tradição eleitoral brasileira, prometer um futuro ligeiramente mais organizado do que o presente.
# Na disputa presidencial, a polarização continua sendo uma das grandes forças do jogo. Mas há uma pergunta que vale mais do que qualquer jingle: o eleitor está escolhendo um projeto ou apenas escolhendo contra alguém? Bicudo não tem resposta para isso. E talvez seja justamente essa a pergunta que cada eleitor deveria responder sozinho.
# Agro, política e aquele velho costume de escolher por hábito. No campo, onde muita gente aprendeu a desconfiar até de previsão de chuva, a política também merece uma boa dose de reflexão. Entre diferentes nomes e projetos colocados à mesa, a pergunta não deveria ser apenas “quem está comigo?”. Talvez fosse mais interessante perguntar: “Quem realmente representa aquilo que eu considero importante?”
# Primeiro turno é justamente a oportunidade de olhar o tabuleiro inteiro. Depois, conforme as regras do jogo, as alternativas se estreitam. Para deputado e senador, a conta é diferente: a decisão acontece no primeiro turno. E depois não adianta reclamar que faltou opção. Opção tinha. Faltou olhar?
# Rosane: uma prefeita por alguns dias. Por estas bandas, Rosane Santos assumirá interinamente a Prefeitura de Horizontina até quarta-feira, dia 26, em razão do encerramento de seu período à frente do Legislativo. É mais um capítulo interessante da trajetória de uma liderança feminina que vem ocupando espaços importantes na política local. E aqui o Bicudo faz uma observação sem precisar colocar penas na balança: quem ocupa espaço uma vez, dificilmente esquece o caminho até ele. O União Brasil, gostem alguns, torçam o nariz outros, vem demonstrando que pretende jogar suas cartas com organização. E organização, na política, vale quase tanto quanto voto.
# Enquanto uns fazem barulho, outros contam as cartas. Existe uma diferença curiosa entre fazer política e fazer barulho. Tem gente que acredita que ameaçar, provocar, plantar discórdia e correr para contar tudo antes da hora significa estar articulando. Pode até ser. Mas também pode ser apenas ansiedade com microfone. Enquanto isso, há quem prefira reunião fechada, conversa interna, decisão coletiva e pouca exposição. Não é necessariamente mais bonito. Mas costuma ser mais eficiente. Na política, quem conta o jogo antes da hora corre o risco de entregar a estratégia para o adversário. E essa ave conhece algumas outras aves que falam demais e depois passam o inverno procurando onde esconder as penas.
“Em 2028 seremos protagonistas!” Dias atrás, um integrante de uma sigla que faz parte da atual aliança governista chegou ao colunista com uma afirmação cheia de convicção: “Em 2028 não seremos mais coadjuvantes. Estamos nos preparando para ser protagonistas.” Ora, ora… Bicudo coçou as penas. Protagonismo é bom. Todo mundo quer. O problema é que política não é teatro em que basta comprar o figurino para ganhar o papel principal. É preciso ter público. E, neste caso, público se chama eleitor.
# Se a atual composição partidária continuar reunindo forças que já possuem presença significativa no Legislativo, talvez seja necessário fazer uma conta antes de sair correndo atrás do protagonismo. Quantos votos existem? Quantos vereadores? Quantas lideranças? Quantos nomes realmente têm capacidade eleitoral? Quantos estão dispostos a trabalhar juntos quando chegar a hora de dividir espaço? Porque uma coisa é dizer: “Queremos ser protagonistas.” Outra, bem diferente, é conseguir responder: “Protagonistas de quê, com quem e com quantos votos?” Essa é a parte que não cabe no discurso. Bicudo fecha o bico… por enquanto
# A eleição começou a ganhar corpo, o rádio vai falar, a televisão vai mostrar, as redes sociais vão ferver e os grupos de WhatsApp provavelmente precisarão de mais armazenamento. Mas há algo que continua valendo mais do que curtida, vídeo bem editado ou discurso inflamado: o voto é individual. Partido faz conta. Candidato faz promessa. Estratégia faz silêncio. E o eleitor… o eleitor decide. Bicudo, por sua vez, continua aqui. Observando. Coçando as penas. E esperando para descobrir quem realmente sabe jogar de mão — e quem só está mostrando as cartas para a plateia.


















