Produtor rural e pré-candidato a deputado estadual pelo Progressistas afirma que medida federal atende uma pequena parcela dos agricultores e alerta para os reflexos da crise no campo sobre toda a economia gaúcha.
HORIZONTINA (RS) – Percorrendo todo o Noroeste do Rio Grande do Sul, o pré-candidato a deputado estadual pelo Progressistas (PP), Luís Fernando Pires, esteve em Horizontina nesta quarta-feira (29), onde participou de encontro com lideranças políticas na residência do ex-prefeito e ex-deputado federal Irineu Colato. Durante entrevista concedida à Rádio Olinda FM, Pires concentrou suas manifestações na situação enfrentada pelo agronegócio gaúcho, defendendo medidas mais amplas de apoio financeiro aos produtores rurais.
Com atuação ligada à Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e ao cooperativismo, Pires afirmou que a sucessão de estiagens, enchentes, temporais e episódios recentes de granizo e tornados agravou a crise enfrentada pelos agricultores, tornando indispensável o fortalecimento das políticas de seguro rural e de recuperação financeira do setor.
CRÍTICAS À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.371
O principal ponto da entrevista foi a avaliação da Medida Provisória nº 1.371, editada pelo Governo Federal para permitir a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por perdas climáticas.
Segundo Pires, as regras estabelecidas pela medida restringem o acesso da maioria dos agricultores. Citando levantamento da assessoria econômica da Farsul, ele afirmou que 88,3% dos produtores gaúchos ficariam fora dos critérios previstos, enquanto menos de 12% conseguiriam aderir ao programa.
“Cerca de 88,3% dos produtores rurais não vão conseguir acessar o que essa medida provisória busca oferecer. Inclusive aqueles que fizeram um grande esforço para renegociar seus financiamentos anteriormente acabam sendo penalizados pelas regras atuais”, declarou.
O pré-candidato informou que a Farsul trabalha junto à bancada federal gaúcha na apresentação de emendas para ampliar a abrangência da medida antes de sua votação definitiva no Congresso Nacional.
REFLEXOS DA CRISE VÃO ALÉM DAS PROPRIEDADES RURAIS
Durante a entrevista, Luís Fernando Pires ressaltou que as dificuldades enfrentadas pelo campo repercutem diretamente na economia dos municípios.
Ao citar Horizontina como exemplo, destacou que o município possui forte ligação com o setor metalmecânico e com a fabricação de máquinas agrícolas, tornando-se especialmente sensível à redução dos investimentos dos produtores.
Segundo ele, quando o agricultor deixa de investir, toda a cadeia econômica é afetada, desde a indústria de máquinas e implementos até o comércio, postos de combustíveis e prestadores de serviços, além da própria arrecadação dos municípios.
“O prejuízo não fica restrito ao produtor rural. Toda a economia sente os efeitos, reduzindo investimentos, empregos e arrecadação que financiam serviços públicos como saúde, educação e infraestrutura”, afirmou.
CONVENÇÃO DO PROGRESSISTAS
Luís Fernando Pires também comentou a expectativa para a convenção estadual do Progressistas, marcada para esta sexta-feira (31), quando deverá ser homologada sua candidatura à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Na mesma convenção, o partido deverá oficializar a deputada Silvana Covatti como pré-candidata a vice-governadora na chapa majoritária.
Ao encerrar a entrevista, Pires reafirmou que pretende conduzir sua campanha com foco na defesa do agronegócio, do cooperativismo e do fortalecimento da economia do interior gaúcho, destacando que considera o setor agrícola estratégico para o desenvolvimento do Estado.


















